Os postos de combustíveis já tiveram que se adaptar e adotar a nova gasolina brasileira. Isso porque o combustível ganhou especificações mais elevadas, determinadas pela Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural (ANP) que passaram a valer este ano. 

Mas, afinal, o que são as novas especificações da gasolina e o que mudou na vida do motorista? Abaixo, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre isso. Confira! 

Nova gasolina brasileira: tudo que você precisa saber

Entenda a especificação da nova gasolina brasileira

A nova gasolina brasileira deixou muitos motoristas com dúvidas a respeito do seu uso. Afinal, o que essas mudanças interferem no dia a dia do consumidor? 

Ao todo são três itens que receberam novas exigências determinadas pela Agência que regula o combustível no Brasil: densidade, octanagem e ponto de vaporização. Veja um pouco mais sobre cada um deles!

Densidade ou massa específica

Uma das mudanças mais importantes para o motorista é a que estabelece a densidade mínima de 715 kg/m³, ou seja, o quanto deve pesar um litro de gasolina.

 Até então, não havia um padrão determinado para isso. No entanto, ele é fundamental para o bom desempenho do motor. Isso porque quanto maior for a densidade, menor será o consumo. 

Outro ponto importante em relação à densidade do combustível é que ele pode garantir maior eficiência do motor. Consequentemente, o veículo passa a consumir menos gasolina, e os carros se tornam capazes de circular mais com menos gasolina. 

Além disso, essa medida tende a garantir maior padrão de qualidade nos postos de combustível. Isso porque, as especificações da nova gasolina brasileira podem complicar a adulteração deste combustível, uma vez que a maioria dos solventes possuem uma densidade inferior. 

Octanagem 

A segunda especificação para a nova gasolina brasileira é em relação à octanagem, ou seja, a capacidade que o combustível tem de resistir à compressão dentro do motor sem sofrer combustão espontânea. Hoje, a octanagem é de IAD 87, um valor médio entre dois sistemas de medição: MON e RON. 

A primeira mede a resistência à detonação em uma rotação mais alta, e a octanagem RON mede o mesmo parâmetro em rotação mais baixa. Para o novo combustível, a octanagem não muda, mas terá uma nova classificação: RON 92. 

A gasolina premium, por sua vez, deve ter pelo menos 97 octanas (RON 97). Apesar de não haver mudanças no valor, essa nova metodologia é mais adequada para as tecnologias dos motores mais recentes. 

Já o percentual de etanol anidro continua em 27% para a gasolina comum e aditivada, e em 25% para gasolina premium. 

Essa mudança afeta principalmente os veículos mais modernos, já que a nova construção dos motores sofria mais com a gasolina antiga. Por outro lado, uma octanagem baixa pode causar a “batida de pino” em qualquer motor. 

Isso porque a tecnologia mais avançada utilizada na produção diminui o peso do motor mantendo a mesma potência. No entanto, eles exigem mais o RON, que até então não era monitorado no Brasil. 

Ponto de vaporização

Outra novidade nas especificações da nova gasolina é o estabelecimento de uma faixa com limite máximo e mínimo de temperatura para uma evaporação de 50% da gasolina. Esse parâmetro recebe o nome de destilação e mede a volatilidade do combustível. 

Antes, não havia limites mínimos para isso, apenas o limite máximo de 120ºC para a gasolina tipo A e 80ºC para a tipo C. Com a porcentagem mínima, será possível melhorar o desempenho do motor em diversos aspectos, como: qualidade da combustão em ponto morto, na dirigibilidade, no tempo de resposta na partida a frio e no aquecimento adequado.

Isso porque esse fator favorece a queima completa da mistura ar/combustível e eleva a temperatura do motor para a faixa ideal de funcionamento. Além disso, quanto menos se consome o combustível, menor será a quantidade de emissão de poluentes. 

A nova gasolina brasileira possui um custo maior de produção e, por isso, terá maior valor no mercado. Entretanto, essas mudanças poderão gerar uma economia de 4% a 6% no consumo dos motores já existentes. 

Esse ganho no rendimento compensa a diferença do preço final da gasolina, já que o motorista conseguirá rodar mais quilômetros por litro.  

É importante ressaltar também que grande parte do combustível produzido no Brasil já segue algumas dessas especificações, mas agora isso é obrigatório e padronizado.

Principais dúvidas a respeito da nova especificação

Agora que você já entendeu um pouco mais sobre a nova gasolina brasileira, vamos responder algumas das principais dúvidas sobre o assunto. Veja só! 

Precisa fazer algum ajuste no motor?

Não, os motores não precisarão passar por nenhum tipo de ajuste para receber a nova gasolina brasileira. 

Quais carros poderão se beneficiar com isso?

Os veículos já em circulação poderão sentir diferença na densidade, que pode tornar o carro mais eficiente. Os modelos que mais se beneficiarão com essa nova gasolina brasileira são os motores flex. 

Isso porque a pressão de alimentação do combustível nesses sistemas já está sendo aperfeiçoada ao longo dos anos e, por isso, eles permitem maior economia e emitem menores quantidades de poluentes. 

Para os novos veículos, as novas especificações dão a possibilidade de ajuste nos motores para que tenham um desempenho mais adequado à nova gasolina, melhorando a performance do automóvel. 

As gasolinas aditivadas e premium irão mudar também?

A gasolina aditivada segue a mesma orientação da comum, por isso ela vai melhorar na mesma proporção. Já a gasolina premium é um combustível de alta qualidade e com padrões mais exigentes de comercialização. 

Por isso, ela passa a ter algumas especificações parecidas com a gasolina tipo C, como a densidade mínima. A gasolina premium, no entanto, só é recomendada para carros de alta performance. 

Haverá mudanças no etanol e no diesel?

Por já ser um combustível de fonte renovável, o etanol não possui planejamento para mudanças específicas. O diesel, no entanto, pode passar por algumas alterações, mas apenas em 2023. 

Como fiscalizar a venda da nova gasolina?

Para saber se a gasolina segue as novas especificações, o motorista pode solicitar um medidor para testar a densidade do combustível. Para fazer a análise, basta mergulhar o densímetro calibrado entre 700 e 750 gramas por litro: se o valor for abaixo de 715, é provável que o combustível seja adulterado. 

Conclusão

Como você pode ver, a nova gasolina brasileira trouxe muitas mudanças em sua composição que poderão melhorar o desempenho do veículo. E você, já sentiu algum impacto com essa nova especificação?